Final da palestra sobre o tema "Teatro para as Infâncias", ministrada a convite do amigo Prof. Dr. Robson Telles para turma do Curso de Pedagogia da Universidade Católica de Pernambuco. Acadêmico respeitado e muito querido por todos os que estudaram com ele, Robson é hábil em recorrer ao melhor do Teatro para fazer emergir o melhor de seus alunos. Ele compreende que, por ser fruto histórico das relações do ser humano consigo mesmo e com a realidade em que vive, a experiência teatral pode ser enriquecedora para jovens e adultos, mesmo para os que não pretenderem seguir carreira no Teatro.
quarta-feira, maio 15, 2024
quinta-feira, outubro 02, 2014
Liberdade de expressão
Liberdade de expressão é a desculpa mais usada atualmente para justificar agressões, evitar o diálogo, fugir da reflexão e desistir da busca de soluções para os problemas que cabe a TODOS os cidadãos enfrentar e resolver.
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Onde é que está o tempo?
Meu Deus, já faz mais de um mês que eu havia escrito que ia volta a postar (ao invés de simplesmente deletar o blog como eu quase fiz). O tempo tá correndo como a galera nos metros finais da São Silvestre. A diferença é que lá em São Paulo eles ganham a corrida e se aquietam. O tempo, não. Ei, velho! Pra que correr tanto? Ou será que quem está correndo sou eu? Oi, tempo. Tudo bem contigo?
segunda-feira, janeiro 03, 2011
domingo, março 07, 2010
Meu
As fotos de hoje foram tiradas na temporada que a peça Meu fez no Teatro Joaquim Cardozo em novembro de 2009. Em cenas que evocam aspectos caros ao universo da poesia contemporânea, Meu traz toques de realismo fantástico (o homem que tem orgasmos a cada 30 minutos, a mulher que controla os mergulhos de um peixe dourado num aquário) e evidencia o cinismo, a amargura e um certo niilismo, que parecem explicar as razões de uma persistente incomunicabilidade na abundância de possibilidades de comunicação desta estranha época em que vivemos. O Amor (aquele incondicional e avassalador, não essa mistura de paixão, apego e cobrança que insistimos em chamar de amor) parece inviabilizado justamente nessa dificuldade de comunicação, na dificuldade de perceber o outro e seu modo de ver o mundo e os sentimentos. Interpretados com economia de gestos e emoções, os personagens parecem presos em suas próprias visões de mundo e expectativas sobre a vida: não conseguem abrir mão de nada e, por conta disso, não têm os braços livres para abraçar o novo. É óbvio que "Meu" fala do ego, mas, mais do que isso, fala da persistência da crença de que precisamos ser donos uns dos outros, quando sequer conseguimos ser donos de nós mesmos. Ainda que se perceba que os atores poderiam ampliar seu domínio sobre a ação (o minimalismo nas interpretações não exclui a necessidade de presenças mais intensas) e a despeito da necessidade de um teatro um pouco maior e melhor equipado que valorize o jogo de proximidades e distanciamentos entre os personagens, Meu é um trabalho criativo, singular e até paradoxal, na medida em que vemos tanta força (até bruta) ser transmitida sob viezes de tanta delicadeza e poesia. Na direção, Marcelo Oliveira. No elenco, Eduardo Rios, Elis Costa e Marcelle Tartas.







Satisfação
Caríssimos visitantes deste blog, passei quase dois meses sem postar nada por conta da absoluta e necessária imersão nas atividades de realização da minissérie Stufana, atividade de conclusão do segundo semestre de 2009 dos Grupos de Estudos de Dramaturgia e do Trabalho do Ator do Projeto TelaTeatro (Fundação Joaquim Nabuco). Estou com muito material de vários espetáculos (Greta Garbo, Meu, A dona da história e muitos outros) que postarei a partir de hoje, às 21h. Ah, e aproveitem para dar uma olhada no blog da minissérie clicando aqui. Até mais tarde.
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Playdog
Playdog é o título do espetáculo nascido na versão 2009 do projeto Aprendiz em Cena, promovido pelo Centro Apolo-Hermilo. Playdog estreou em novembro daquele ano com a participação de três experientes e reconhecidos atores locais: Auricéia Fraga, Cleyton Cabral e Pascoal Filizola. A peça reúne ótimos três textos: um quadro de "Teatro pretensioso", de Carlos Bartolomeu (PE); "A refeição", de Newton Moreno (PE/SP); e "Lesados", de Rafael Martins (CE). Os jovens encenadores desta versão do projeto são Rafael Barreiros, Rodrigo Cunha e Alisson Castro, que também assinaram a cenografia. A orientação geral foi do encenador Carlos Bartolomeu. Em entrevista ao jornal Diário de Pernambuco, Lúcia Machado, coordenadora geral do Festival de Teatro e diretora do Centro Apolo-Hermilo, afirma que o Aprendiz em Cena é o projeto mais trabalhoso daquela instituição, "mas é o que mais excita, pelo desafio que representa. Precisamos assumir o risco, algo inevitável na arte". E os aprendizes se arriscaram. E que bom que o fizeram. Quem tem medo de errar não avança e, se a peça traz seus deslizes, como um espaço cênico confuso e a dificuldade de fazer a ação servir a esse espaço, também ousa no modo como trata a aparentemente desgastada figura do "clown". O título da peça alude à "vida de cão" que é o jogo (play) cotidiano contemporâneo, o qual remete de imediato à imagem do palhaço (não é a toa que são três clowns que dão vida aos textos da encenação). Mais do que nunca é evidente o quanto o palhaço nos espelha e o adjetivo "absurdo" explode como o que melhor se aplica às ações que vemos desdobrar-se à nossa volta e, consequentemente, dentro de nós. A peça traz influências da narrativa cinematográfica (fragmentação, "closes", trilha climática) e, por vezes, parece citar - e desconstruir - universos como o de Chaplin e Fellini, povoados por personagens que vão da candura à mais tórrida paixão, como Carlitos ou aqueles interpretados pela musa do mestre italiano, Giulieta Massina. Os três atores protagonizam cenas que parecem reboots desconcertantes e apimentados dos universos de obras como "A estrada da vida" e "Em busca do ouro", indo além da dança entre o grotesco e o sublime para ir-e-vir entre a dor e o encantamento, a repulsa e o desejo, o êxtase e o estupor. Playdog exibe transa de essências, ecos de cinema despindo-se no palco, metáforas do apocalipse doméstico desenhadas pela ação de atores corajosos. Gostei do que vi e senti. E muito.











sábado, novembro 14, 2009
Meu caro amigo
Simples, despretensiosa, honesta, viva, bem humorada, delicada, intensa, emocionante. Esses adjetivos valem tanto para a peça Meu caro amigo quanto para a atriz que a protagoniza, Kelzy Ecard. Escrita por Felipe Barenco, dirigida por Joana Lebreiro e com direção musical de Marcelo Alonso Neves, a peça mostra como a vida de Norma, uma brasileira comum, se mistura com o imaginário musical criado por Chico Buarque de Holanda. Acompanhada pelo piano esperto de João Bittencourt, a personagem canta (muito bem) algumas das mais belas músicas de Chico, alinhavadas à história dela com tal maestria que nos perguntamos se não estamos diante de uma biografia disfarçada. Através dessa professora humaníssima que, por isso mesmo, estabelece rapidamente uma proximidade quase doméstica em relação à platéia, constatamos o quanto as músicas desse carioca de olhos azuis compuseram a trilha sonora de muitos momentos marcantes das vidas de todos nós. Impossível assistir sem deixar rolar algumas lágrimas, especialmente quem viveu nos 60, 70 e 80. Meu caro amigo está circulando o país graças à Petrobrás e teria sido ótimo se o trabalho pudesse ter mais récitas por aqui. A peça esgotou antecipadamente a lotação dos seus dois dias de apresentações, fato raríssimo no Recife para uma produção sem "artistas globais".









domingo, novembro 08, 2009
Cordel do amor sem fim
Agrinez Melo, Monalize Mendonça e Naná Sodré voltaram aos palcos, desta vez longe da cabine de luz. Nas mãos hábeis do encenador Samuel Santos, ampliaram os limites da empresa delas (O Poste Soluções Luminosas, especializada na iluminação de espetáculos) e, (boas) atrizes que também são, estão saciando o desejo de representar juntas. Para isso convidaram o ator Thomaz Aquino e escolheram o belo texto da baiana Cláudia Barral, Cordel do Amor sem Fim. Jovem autora que ainda nem completou trinta anos, Barral brinca com o tempo e o espaço na cena ao contar a história das irmãs Carminha, Madalena e Tereza e mostrar a relação de cada uma com o amor e a vida.
Amores distantes, perdidos, negados e encontrados são expostos no texto premiado pela FUNARTE em 2003, que Samuel montou a partir de dezenas de referências vinculadas ao imaginário interiorano e suas conexões com a urbanidade contemporânea. Se a expressão "colcha de retalhos" pode lembrar fragmento e desordem, nesta encenação ela sugere a beleza e a harmonia que também permeiam o caos aparente. Esfuziante, lúdica, ora vivaz, ora melancólica, Cordel é uma peça para se degustar como se lê uma poesia escrita num mundo de quatro dimensões.
A preparação vocal do cantor lírico Sebastião Câmara e a trilha sonora de Josias Albuquerque sublinham a impressão de estarmos sonhando acordados, imersos em algum lugar-não-lugar onde as leis físicas são subvertidas e signos emergem pontuando cenas e ampliando a possibilidade de leituras sobre o que vemos.
Ironicamente, apesar da prática e empenho d'O Poste, a iluminação do espetáculo se viu amesquinhada pelas restrições do espaço da Compassos (importante, ativa e essencial companhia de danças de Recife). Se por um lado há que se louvar que haja artistas capazes de criar e manter um espaço alternativo e precioso como o da Compassos, onde assisti a peça, por outro há que se lamentar a crônica falta de espaços melhor equipados na cidade, capazes de comportar propostas como a deste Cordel do Amor sem fim e de outras tantas companhias que penam quando querem exercitar vôos mais altos na área da tecnologia da cena.
Não me refiro a grandes e dispendiosas salas. Podiam ser pequenos teatros bem estruturados. Muitos deles! Por que não? Já foi mais do que constatado que a prática teatral tem efeito benéfico na auto-estima da comunidade. Salvador tem dezenas de pequenas salas em funcionamento e bem administradas. Salvador é ali! É Nordeste também. Mas lá a galera, ainda que tão competitiva quanto a nossa, está melhor organizada, mais unida, tem uma Escola de Teatro como fórum de reflexão. Sem falar que, convenhamos, há muitos empresários e políticos baianos que apostam em artistas baianos - e ganham.
Aqui seguimos com nossos velhíssimos problemas e (maus) costumes ainda pedindo novas soluções. É complicado. Cada vez mais parecemos reféns de fomentos e patrocínios, competindo pelas brechas que nos abrem. Deve haver saídas para se ampliar esse funil de sonhos. Não quero acreditar que só nos reste simplesmente fazer como Tereza faz com o amor da vida dela em Cordel do Amor sem fim. Isso fica lindo e arrebatador no contexto da peça, mas na dureza deste mundo tridimensional, não leva a lugar nenhum.
Cordel do amor sem fim está em cartaz todas as sextas até o final de novembro, às 19h, no espaço da Compassos Cia. de Danças (Rua da Moeda, 93, 1º andar, Bairro do Recife). Entrada franca.












Amores distantes, perdidos, negados e encontrados são expostos no texto premiado pela FUNARTE em 2003, que Samuel montou a partir de dezenas de referências vinculadas ao imaginário interiorano e suas conexões com a urbanidade contemporânea. Se a expressão "colcha de retalhos" pode lembrar fragmento e desordem, nesta encenação ela sugere a beleza e a harmonia que também permeiam o caos aparente. Esfuziante, lúdica, ora vivaz, ora melancólica, Cordel é uma peça para se degustar como se lê uma poesia escrita num mundo de quatro dimensões.
A preparação vocal do cantor lírico Sebastião Câmara e a trilha sonora de Josias Albuquerque sublinham a impressão de estarmos sonhando acordados, imersos em algum lugar-não-lugar onde as leis físicas são subvertidas e signos emergem pontuando cenas e ampliando a possibilidade de leituras sobre o que vemos.
Ironicamente, apesar da prática e empenho d'O Poste, a iluminação do espetáculo se viu amesquinhada pelas restrições do espaço da Compassos (importante, ativa e essencial companhia de danças de Recife). Se por um lado há que se louvar que haja artistas capazes de criar e manter um espaço alternativo e precioso como o da Compassos, onde assisti a peça, por outro há que se lamentar a crônica falta de espaços melhor equipados na cidade, capazes de comportar propostas como a deste Cordel do Amor sem fim e de outras tantas companhias que penam quando querem exercitar vôos mais altos na área da tecnologia da cena.
Não me refiro a grandes e dispendiosas salas. Podiam ser pequenos teatros bem estruturados. Muitos deles! Por que não? Já foi mais do que constatado que a prática teatral tem efeito benéfico na auto-estima da comunidade. Salvador tem dezenas de pequenas salas em funcionamento e bem administradas. Salvador é ali! É Nordeste também. Mas lá a galera, ainda que tão competitiva quanto a nossa, está melhor organizada, mais unida, tem uma Escola de Teatro como fórum de reflexão. Sem falar que, convenhamos, há muitos empresários e políticos baianos que apostam em artistas baianos - e ganham.
Aqui seguimos com nossos velhíssimos problemas e (maus) costumes ainda pedindo novas soluções. É complicado. Cada vez mais parecemos reféns de fomentos e patrocínios, competindo pelas brechas que nos abrem. Deve haver saídas para se ampliar esse funil de sonhos. Não quero acreditar que só nos reste simplesmente fazer como Tereza faz com o amor da vida dela em Cordel do Amor sem fim. Isso fica lindo e arrebatador no contexto da peça, mas na dureza deste mundo tridimensional, não leva a lugar nenhum.
Cordel do amor sem fim está em cartaz todas as sextas até o final de novembro, às 19h, no espaço da Compassos Cia. de Danças (Rua da Moeda, 93, 1º andar, Bairro do Recife). Entrada franca.
domingo, outubro 25, 2009
Encruzilhada Hamlet
Edjalma Freitas e Henrique Ponzi interpretam respectivamente o coveiro e Hamlet, personagens que compartilham a mesma cova na peça Encruzilhada Hamlet, escrita e dirigida por João Denys de Araújo Leite, que também assina a cenografia e os figurinos do espetáculo. Príncipe e vassalo em suas visões opostas, cruzam caminhos nos domínios da morte, revisando e confrontando a complementaridade de suas existências. Um trabalho desconcertante que reafirma o talento de Denys como grande encenador e contador de histórias, mantendo seus dois atores num cubículo e projetando a ação para além da restrição espacial explicitada pela cenografia. Assim, longe de ser enfadonho, Encruzilhada Hamlet leva a platéia a tomar como ponto de partida a impressão primeira e recorrente da imobilidade típica da morte para depois, aos poucos, deixar que cada espectador se depare com a constatação de que a vida verdadeira só se manifesta em gozo, unidade, infinitude, luz e transcendência. Certamente que algumas metáforas contidas na peça podem ser incômodas. Num mundo que oferece tantas possibilidades de nos agarrarmos a ilusões de estabilidade, é difícil aceitar ver que é possível morrer em vida pelo simples fato de se deixar imobilizar pelas circunstâncias. Belo trabalho.
Coordenação de produção de Edjalma Freitas, preparação de corpo de Miriam Asfora, iluminação de Saulo Uchoa, maquiagem de Marcondes Lima, preparação vocal de Rose Mary Martins e trilha sonora de Naná Vasconcelos.













Coordenação de produção de Edjalma Freitas, preparação de corpo de Miriam Asfora, iluminação de Saulo Uchoa, maquiagem de Marcondes Lima, preparação vocal de Rose Mary Martins e trilha sonora de Naná Vasconcelos.
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