Hoje o céu abriu. Abriu mesmo. O colorido das coisas até pareceu ressaltar, depois de tanto tempo cinzento. Os mirantes se encheram de gente e era possível sentir alegria nos murmúrios dos transeuntes, uma alegria indisfarçável de vida acordando. Quando anoiteceu, deu até para ver a lua e algumas estrelas.
Acho um barato essa mistura de coisas antigas, tradicionais ou artesanais (a casa, os azulejos, a placa entalhada) com coisas modernas (uma loja de bicicletas), de português (Santo Antônio) com inglês (Bike Ciclo!!!), tudo convivendo junto sem pretender - nem necessitar - descaracterizar um ao outro. Ah, bem que isso podia ser uma prática, ao invés de ser exceção...
A casa se foi, mas a beleza que havia nela ficou de algum modo resistindo, nos tijolos e telhas, nas plantas insistentes nascendo pelas frestas, no casamento da casa com a paisagem.
Outra foto que tirei no verão passado, em Cachoeira, antiga capital da Bahia. Gosto do colorido das casas contrastando com o azul do céu, esse jogo geométrico que vai se formando a medida em que a gente vai avançando pelas ruas cheias de curvas e ladeiras. Parece que eu estava num quintal na hora da foto, não é? Mas não é. Essa foto foi tirada no topo de uma ladeira, numa rua que segue adiante à esquerda, fazendo um "S", entre a casa amarela da esquerda e aquela outra vermelha e azul claro.