Achei curioso como este por-de-sol se parece com uma explosão nuclear. O que faz a diferença entre as infinitas explosões nucleares do sol e as nossas bombas atômicas é que aquela estrela amarela, talvez até pela relação que há entre ela e nós, é a mantenedora de bilhões de formas de vida da Terra. Quanto às nossas bombas, no contexto em que se colocam, nada mais são que barulho, destruição e caos.
O que torna um milagre possível não é exatamente a fé, mas o desistir da ilusão de que um milagre é algo impossível.
Esse edifício não era assim. Os mais velhos juram que ele era retinho, retinho. Um dia ele começou a ondular. Pensaram que era ilusão de ótica, mas não: o concreto dançava suavemente em toda a fachada do prédio, justamente a fachada voltada para a Baía de Todos os Santos. Um caso de paixão. Esse edifício nunca mais voltou ao anormal, porque normal era ser como as águas do mar diante dele. Normal era se deixar contaminar pelo movimento da vida.
O olhar aguçado da fotógrafa (Virgínia Yamasaki, mestra de Power Yoga) leva o foco da câmera a revelar partes do corpo cuja expressão passa despercebida de nós e do mundo. São como frestas para se observar recantos inusitados do aqui-agora, onde uma canção silenciosa fala da viagem da alma e do sentimento, em contraste com a algazarra quase histérica daquilo que chamamos de realidade.