sábado, maio 20, 2006

Balsa
















As balsas, pesadas e lentas em seu diálogo com as correntes das águas, fazem a gente entrar em contato com outro ritmo de contato com a realidade. A gente acaba se dando conta de que ansiedade e pressa nada têm a ver com natureza. Vai ser bom no dia em que a gente acordar e notar que ansiedade e pressa não têm nada a ver com a gente também.

Penedo (AL), às margens do Rio São Francisco, janeiro de 2006.

2 comentários:

Ana disse...

Fiquei pensando...
Desacelerar por alguns dias, tudo bem... Pode ser uma delícia!
Mas calma demais aflige!
Heheheheh!

Acho que não tenho cura...Mas sinto que mantenho um rítmo que tem a ver com a "minha" natureza!
:)

Felipe disse...

Ah, tu já estás 'curada', Ana!
Respeitar a própria natureza é a chave de tudo.
Na minha 'filosofagem' eu não estava falando que todos devemos andar em câmera lenta, mas que devíamos conhecer melhor nossas demandas interiores. Olhar as balsas deu-me um estalo de que elas (e seus comandantes) não forçam suas estruturas, não brigam com o rio, elas procuram dançar com ele e assim atingem seus objetivos sem problemas....
No post usei duas palavras-chave que confundem muito a gente: 'ansiedade' e 'pressa'. Para mim, 'ansiedade' é manter uma preocupação acerca do futuro mesmo quando já não sabemos mais o que fazer por esse futuro. 'Pressa' é quando a gente se obriga a por mais velocidade do que é necessário para atingir um objetivo ("o apressado come cru e quente", "melhor chegar tarde em casa do que cedo no cemitério", "quanto maior a pressa mais devagar se anda"). 'Ansiedade' e 'pressa' não são a mesma coisa que 'entusiasmo' e 'rapidez'. Acredito que é possível viver num ritmo intenso e estar em paz consigo e com tudo o que existe. Só falta aprender o caminho pra isso (rsrsrsrs).